domingo, 22 de fevereiro de 2015

A CULPA É SÓ DA POLÍCIA? SERÁ?

Logo após os desfiles das tais escolas de samba (que no meu modesto entendimento de escola não possuem nada) tivemos uma manifestação de um conhecido interprete (cantor) de enredos da escola de samba “beija-flor” que deve ser interpretada na tentativa de explicar muitas coisas que acontecem no cotidiano do brasileiro.
Estou me referindo à frase: “agradeça a contravenção pelo carnaval”. Parece uma frase banal, mas na realidade significa muito, inclusive para a segurança pública e aqui brevemente tentarei, como mencionei, mesmo que brevemente explicar.
Na realidade esta frase foi proferida pelo cantor após a escola de samba beija-flor sair vencedora do carnaval carioca deste ano e surgirem vários questionamentos sobre o patrocínio da referida agremiação que veio da Guiné Equatorial, um país pobre do continente Africano, governado com “mão de ferro” há mais de 34 anos pelo ditador Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, fato esse amplamente divulgado e questionado pela mídia:
VEJA:
GLOBO:
CORREIO DO ESTADO:
RBS:
O TEMPO:
O cantor justificou de forma muito natural que “se não fosse a contravenção o carnaval carioca não estaria organizado e não seria um grande espetáculo”, ou seja, quis dizer que é isso mesmo e que não interessa de onde vem o recurso, o correto é ter um bom carnaval.
Trago esse tema ao debate para estimular a reflexão de como o ilícito permeia praticamente todas as atividades no Brasil e de forma muito natural, com o povo e até as autoridades em todos os níveis aceitando tal prática, pois não as ví tomando atitudes no sentido de apurar tais afirmações.
É exatamente aí que tem relação com a segurança pública. Ilícito é ilícito, seja ele de grande porte ou de pequeno porte (contravenção ou crime) e não pode haver justificativa para que se instale no país, sob qualquer pretexto, uma atividade marginal que para “organizar a atividade” tenha aceitação, isso não pode.
Como então as instituições policiais e seus integrantes podem ser cobradas por tudo de ruim que ocorre na segurança pública, quando há na sociedade uma cultura de que “os fins justificam os meios”. Esta sociedade deve entender que é exatamente assim que o crime organizado (mesmo os contraventores) se instala nas sociedades sem ser por ela incomodados. É assim que acabam aceitos, desde que satisfaça os interesses dessa sociedade.
Essa mesma sociedade, agindo assim, perde até o direito de cobrar da polícia uma atuação mais enérgica contra tudo isso. Não podem essas pessoas, sem mudar sua postura quanto aceitação de ilícitos, jogar nas costas das instituições policiais toda a responsabilidade para proporcionar uma segurança pública de qualidade, quando ela mesmo não consegue mudar sua cultura de não aceitar nenhum ilícito.
A Intenção não é retirar a responsabilidade da polícia pelos sérios problemas de segurança pública que os brasileiros enfrentam, no entanto, grande parcela dessa responsabilidade é da sociedade que deve mudar sua cultura de aceitar ilícitos quando lhe convém. O velho e conhecido "jeitinho brasileiro" tem que acabar e começa por todos nós.
         Antes de cobrar e culpar a polícia por “tudo” o que ocorre de ruim com a segurança pública, se espera que os “Neguinhos” da Beija-Flor que existem por aí passem a não achar ser natural que recursos do ilícito (da contravenção, de ditaduras, etc) sejam utilizados “sem problemas” e sem maiores questionamentos, desde que sejam para “organizar uma atividade. Isso não pode em hipótese alguma.

Até a próxima


MARLON JORGE TEZA

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

A COMISSÃO NACIONAL DA VERDADE E SEU O ÓDIO PARA COM A POLÍCIA MILITAR

Inicialmente gostaria de desejar a todos os leitores um feliz e próspero ano de 2015, esperando que este ano seja realmente bom para a segurança pública brasileira e que desperte nas autoridades (Executivo, Legislativo e Judiciário), na sociedade e nos próprio operadores do sistema de segurança pública a vontade para que este problema que atinge a todos seja resolvido ou, pelo menos, encaminhadas efetivamente propostas e ações que vislumbrem de fato uma solução futura.
Agora, com a permissão de todos, vou discorrer de uma forma bastante rápida e objetiva, sobre um tema que está em voga e que atinge diretamente os brasileiros. Refiro-me ao título desta postagem que é aspectos pontuais do relatório da Comissão Nacional da Verdade divulgado com todas as pompas possíveis em meados do mês de dezembro do ano que recentemente findou-se.
É necessário mencionar inicialmente que a Comissão Nacional da Verdade, órgão da Casa Civil da Presidência da República, criado por força da Lei nº12.528/11 com objetivo claro de promover “investigações sobre as graves violações de direitos humanos ocorridas no período enfocado pela Comissão – de 1946 a 1988”.
A referida comissão em seu relatório final, como mencionei acima, chegou a conclusões que exorbitam sua competência nos termos de sua lei de criação, bem como, acabou inferindo falsamente sem qualquer base histórica diversos encaminhamentos que engendram notório prejuízo as Instituições Políciais Militares e a seus atuais integrantes (incluídos os militares em atividade e os inativos). Neste contexto, o relatório final da Comissão Nacional da Verdade (CNV) em suas fls.971 e 972, item n.º 20 propõe a Desmilitarização das polícias militares estaduais, nos seguintes termos:
“Desmilitarização das polícias militares estaduais.”
Na verdade propõe a extinção dessas seculares instituições.
Diz ainda a CNV em outro trecho do relatório que: “A atribuição de caráter militar às polícias militares estaduais, bem como sua vinculação às Forças Armadas, emanou de legislação da ditadura militar, que restou inalterada na estruturação da atividade de segurança pública fixada Constituição brasileira de 1988. Essa anomalia vem perdurando, fazendo com que não só não haja a unificação das forças de segurança estaduais, mas que parte delas ainda funcione a partir desses atributos militares, incompatíveis com o exercício da segurança pública no Estado democrático de direito, cujo foco deve ser o atendimento ao cidadão. Torna-se necessário, portanto, promover as mudanças constitucionais e legais que assegurem a desvinculação das polícias militares estaduais das Forças Armadas e que acarretem a plena desmilitarização desses corpos policiais, com a perspectiva de sua unificação em cada estado.”

Aqui presenciamos algumas mentiras da dita Comissão. Uma delas é de que as Polícias Militares nasceram com a legislação da “ditadura militar”. Isso não é verdade, - AS POLÍCIAS MIITARES NÃO SÃO FRUTO DA DITADURA MILITAR – A Polícia Militar é secular e foi por muito tempo a única instituição policial brasileira. Foi sim “reorganizada” em 1969 pelo Decreto-Lei Federal 667/69, porém não criada nesta data. Ela foi usada no período de exceção como mão de obra do regime. Obedecia quem mandava na época, o que é natural para uma instituição calcada na obediência a hierarquia, não tendo, contudo por exemplo, um torturador PM conhecido nacionalmente, nem mesmo seus quarteis são mencionados como palcos contumazes de torturas.
Tudo é fácil constatar se observado a verdadeira história brasileira no que diz respeito às Polícias Militares, como mencionei. Elas são umas das instituições mais antigas do Brasil, sendo a de Minas Gerais fundada no ano de 1775, a do Rio de Janeiro em 1809, a da Bahia em 1825, a de São Paulo em 1831, a de Santa Catarina em 1835 e aí por diante. É de se notar que quase todas as Polícias Militares tiveram sua fundação na primeira metade do século XIX, antes do aparecimento de muitas outras instituições públicas.
É necessário e importante dizer, ainda, que as Polícias Militares são as únicas instituições policiais que participaram de praticamente todos os fatos históricos da formação nacional, sempre evoluindo com o país e adaptando-se aos mais diversos regimes, governos e sociedades. Estava presente na época do Brasil Colônia, atravessou o Império, a República Velha, o Estado Novo, a Ditadura de Getúlio Vargas, o Governo Militar e a redemocratização pós 88 com o advento da Constituição dita cidadã.
Outra mentira é dizer que as Polícias Militares possuem “atributos militares, incompatíveis com o exercício da segurança pública no Estado democrático de direito, cujo foco deve ser o atendimento ao cidadão”. Ora dizer isso é desconhecer totalmente o dia a dia dessas instituições e a ação de seus profissionais que cotidianamente atendem milhares e milhares de “ocorrências” em todos os rincões deste país com dimensões continentais, ocorrências essas que não se limitam aos atendimentos dos crimes e das desordens, mas sim, e principalmente, alcançam os auxílios diversos e orientações sociais que por vezes até ultrapassam as suas missões constitucionais, porém, por ser o braço visível do estado organizado nas comunidades desprovidas das condições que o próprio estado deixa de prover, acaba funcionando como uma espécie de “única salvação” da sociedade. Isso não é ter como foco o cidadão?
Não se pode negar que há necessidade de mudanças constitucionais na segurança pública, contudo, será que o problema é esse: da investidura militar da PM?
Como já mencionado em várias postagens e, se houvesse a preocupação em buscar a verdade junto países desenvolvidos, concluir-se-ia facilmente que: Portugal possui a GNR-Guarda Nacional Republicana que é militar; a Espanha possui a Guarda Civil, que é Militar; a França possui a Gendarmeria Nacional, que é militar, a Itália possui os Carabineiros, que é militar e a Guarda de Finanças, que também é militar; o Chile possui somente os Carabineiros, que são militares, além de muitos outros países que poderiam ser citados,.
Outro comentário necessário, ainda, é quanto o período de apuração da comissão da verdade “de 1946 a 1988” e a comissão diz “que as anomalias ainda perduram” extrapolando sua competência legal.
Como se vê a Comissão da “verdade” além de não ser fiel a verdade acabou por seguir um caminho unilateral, retirando conclusões sem rebuscar, pelo menos, a história brasileira.
A dita Comissão da verdade, após longos dois anos de trabalho diz ter chegado a uma lista dos 377 responsabilizados pela pratica de atos ilegais, então vejamos rapidamente a sua relação com a sua conclusão em relação a extinção das polícias militares:
Polícia Civil- 65 policiais;
Instituto médico Legal – 47 médicos;
Polícia Militar- 38 policiais
Forças Armadas, Polícia Federal e outros Civis- 237

A pergunta que fica, como todo o respeito, porquê a comissão da verdade não concluiu também que se deve extinguir as FORÇAS ARMADAS; a POLÍCIA CIVIL; e os MÉDICOS LEGISTAS?
O desejo desta postagem é trazer a tona uma das sugestões da Comissão Nacional da Verdade que NÃO  é verdade e que atinge de morte as Polícias Militares do Brasil e seus integrantes, como que ela fosse a maior (e talvez a única) culpada, como instituição, e que por isso merece a “pena de morte”, aliás, algo que geralmente ocorre nos debates que envolvem desavisados ou falsos especialistas da área de segurança pública.
   Mais uma vez fica a pergunta (a qual já foi feita em postagem deste blog: http://marlonteza.blogspot.com.br/2014/07/por-que-tanto-odio-da-policia-militar.html : )
PORQUÊ TANTO ÓDIO DA POLÍCIA MILITAR?
           Para melhor compreensão do tema sugiro a leitura do conteúdo dos links abaixo:



           Um abraço a todos e até a próxima

MARLON JORGE TEZA


terça-feira, 9 de dezembro de 2014

AS ÚLTIMAS ELEIÇÕES E A SEGURANÇA PÚBLICA - UMA ANÁLISE

Inicialmente, para esclarecer os leitores de meu blog, gostaria de informar que permaneci cerca de 90 dias sem postar novos temas por ter passado por problemas de saúde considerados graves, porém já foram superados e agora já estou em condições de, novamente, trazer a todos alguns temas sobre segurança pública (ou ordem pública, como queiram).

Como tivemos recente um processo eleitoral para os Executivos e Legislativos Nacional, Estaduais e do Distrito Federal, cabe alguns comentários sobre o tema Segurança Pública.

O momento da campanha eleitoral é muito precioso pois são expostas o que pensam os candidatos (futuros governantes e legisladores) em todos os níveis, principalmente sobre os temas em evidencia e aqueles que eles, os candidatos, julgam que são de interesse direto dos eleitores (sociedade) já possuem potencial para se transformar em votos.

Pois bem, ninguém pode negar que a segurança pública foi na última campanha eleitoral (e já tem sido em outras) um dos temas mais abordados pelos candidatos em todos os níveis, pois é algo que a sociedade vê como primordial para a sua qualidade de vida, não há dúvidas quanto a isso.

Por outro lado, o que impressiona são algumas propostas dos candidatos, que inclusive conseguiram suas eleições, completamente descabidas e fora da realidade fática quanto ao seu conteúdo justamente por não estarem nelas contidas nenhuma possibilidade prática (nem mesmo teórica) de efetivação, nem a curto, a médio ou longo prazo.

Isso demonstra a falta generalizada de conhecimento sobre o assunto e, principalmente, o descompromisso com a sociedade no que diz respeito a sua segurança, pois sabe o político candidato (a esmagadora maioria deles) que a exposição do tema em sua campanha foi tão somente para angariar votos e não continha no seu conteúdo a intenção futura de colaborar na resolução do problema.

Infelizmente passamos por mais uma eleição (nível Nacional e Estadual) e de efetivo e prático na área da segurança me parece que nada acontecerá a não ser as mesmas velhas e calejadas propostas que temos visto ao longo dos anos, ou seja: “unifica as polícias”; “desmilitariza ou extingue as Polícias Militares”; “cria centros de comando e controle”; etc; e  etc.

O que não vemos, e temos a impressão que não veremos, são debates e propostas concretas como: “ciclo completo de polícia a todas as instituições e órgãos policiais”; “verbas constitucionais para a segurança pública (verba carimbada)”: “valorização dos profissionais de segurança pública”; “alteração na legislação processual para torna-la mais célere apertando o cerco contra delinquentes diminuindo a impunidade”, dentre outras que de fato e concretamente possam fazer a diferença, proporcionando mais segurança e qualidade de vida a sociedade.

Para finalizar, como sempre faço em minhas postagens, pois um dos objetivos do meu blog é esse, chamo todos os leitores a reflexão. Não se deixem levar por discursos meramente eleitoreiros que não tenham em seu conteúdo medias prática e exequíveis que em nada contribuam, inclusive agora pós-eleição. Conclamo sim, em todas as oportunidades possíveis, que desconstruam sim esses discursos com manifestações individuais ou coletivas no cotidianamente em todas as esferas da sociedade e, principalmente, não votando no futuro nesses candidatos desqualificados que quando eleitos nada, ou muito pouco, fazem para o bem da segurança pública dos brasileiros.

Agora com a saúde restabelecida voltarei em breve.
Um forte abraço a todos.

MARLON JORGE TEZA

domingo, 31 de agosto de 2014

SISTEMA POLICIAL BRASILEIRO X SISTEMA DE SEGURANÇA PÚBLICA BRASILEIRO

Na condição de conselheiro titular do CONASP/MJ – Conselho Nacional de Segurança Publica, participei nesta semana em Brasília-DF da etapa nacional dos Diálogos Regionais para preparação CONSEG 2015 – Conferência Nacional de Segurança Pública.
Alguns fatos marcarem esses dias em que tive oportunidade de dialogar com várias pessoas. Nesses diálogos informais acabei por observar como há uma irritante e impressionante falta de esclarecimento no que tange a segurança púbica, não para a sociedade civil que não tem obrigação de conhecer com profundidade do mesmo tema, mas sim para pessoas que se intitulam especialistas ou autoridades na área e que acabam por influenciar a própria sociedade civil e decidir por todos.
Vou me referir aqui somente sobre um aspecto que mais me chamou a atenção: “O Sistema de Segurança Pública” e “O Sistema Policial” Brasileiro.
Há sem dúvida uma confusão há muito instalada e que provoca uma serie de equívocos na condução para a solução do problema principal que é a insegurança pública atualmente constatada em várias e várias regiões brasileiras.
Digo isso, pois, não conhecendo o sistema policial brasileiro, composto pelas polícias com suas regras, com seus sistemas de ensino e instrução, com seus regulamentos internos, com suas carreiras, com suas missões constitucionais e atribuições legais e tudo mais, as pessoas acabam confundindo tal sistema (o policial) com o sistema de segurança pública brasileiro. O sistema de segurança pública engloba as polícias sim, mas também e não menos importante, o sistema prisional/penitenciário, o sistema Judicial o Ministério Público as demais instituições Nacionais, Estaduais e Municipais (trânsito e segurança de seus próprios), o Legislativo, e até mesmo as Forças Armadas que estão sendo levadas cada dia mais a participarem da segurança pública.
Esta confusão leva as pessoas, principalmente os ditos especialistas e autoridades, a atacarem as polícias e seus sistemas e não o sistema de segurança pública que é muito mais abrangente. Dentro dessa visão distorcida as polícias quando atacadas e ameaçadas de modificações significativas e até de extinção, acabam, até por instinto, gastando suas energias em defender-se para provar que a culpa da insegurança pública não é exclusiva sua, ou seja, do sistema policial, ”tentando” demonstrar que o problema está no sistema de segurança pública o qual envolve muitos outros órgão e instituições de Estado, muito além do sistema policial. Essa energia que poderia ser utilizada somente para a atividade policial acaba sendo dispersada para outras causas.
O que se constata é que há muito tempo a tônica é erroneamente o sistema policial, tanto é verdade que a maioria das propostas legislativas que tramitam no Congresso Nacional são nesse sentido. Constata-se também que algumas mudanças já realizadas no sistema policial demonstraram que em nada resolveram o problema, ao contrário acabaram por agravá-lo em muitas situações.
Tenho a convicção que no momento em que os especialistas e as autoridades, aí incluídos o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, mudarem seu foco atacando e modificando o sistema de segurança pública (muito mais abrangente) deixando as polícias autonomamente desempenharem suas missões, aí sim teremos a segurança das pessoas melhorada sensivelmente.
Polícias funcionando com autonomia e recursos adequados, sistema prisional/penitenciário organizado nacionalmente também com autonomia e recursos adequados, Judiciário e Ministério Público com propósito de participar da resolução dos problemas do sistema de segurança púbica e sistema legal adequado (através do Legislativo) com modificação no sentido de diminuir a impunidade com celeridade e reeducar realmente o condenado e ainda, finalmente, Executivo focado no sistema de segurança pública e não somente no sistema policial é o encaminhamento real e concreto para a solução do problema.
As polícias, só elas, não são as culpadas pela insegurança pública.
Vamos refletir sobre isso.

MARLON JORGE TEZA

quinta-feira, 17 de julho de 2014

POR QUE TANTO ÓDIO DA POLÍCIA MILITAR ?

É uma pergunta que merece considerações para tentar entendê-la. É o que tentarei brevemente discorrer, muito embora penso não consiga responder.
Todos sabemos que as Polícias Militares possuem sua origem há quase dois séculos (com exceção da PM mineira, do Rio de Janeiro  e do DF que já atingiu mais de dois séculos), sendo reconhecidamente a polícia mais antiga em nosso País, bem como, aquela que primeiramente atingiu dignidade constitucional.
Desde sua criação as Polícias Militares prestam serviço a sociedade, embora inicialmente de maneira mais tímida devido suas limitações. Suas ações em prol da ordem pública são expressivas e na maioria das situações demonstra ser uma instituição imprescindível à paz social.
Não é atrevimento nenhum mencionar que a Polícia Militar foi, ainda é e será por muito tempo em muitas localidades de nosso imenso território brasileiro, uma das únicas (onde não é a única) presença visível do Estado, atuando, muitas vezes, o PM individualmente como mediador dos conflitos comunitários funcionando de certa forma como: juiz; pastor; padre; orientador; etc, etc.
Também há necessidade de mencionar que a PM é uma instituição posta ás ruas em tempo integral, 24 horas por dia, 7 dias por semana, podendo ser acionada pessoalmente, por telefone (gratuitamente), através das mídias sociais ou qualquer outro meio para situações de quebra de ordem (aí não incluindo somente os delitos, mas qualquer situação de necessidade da população), contando com profissionais com regime especial de trabalho com dedicação exclusiva postos à disposição da sociedade.
Para melhor esclarecer, esse profissional em vários Estados para o ingresso na instituição lhe é exigido nível superior para o ingresso no nível inicial e para Oficiais formação superior em direito (bacharel em direito) com carga horária superior (e muito superior) a formação de qualquer profissional de segurança pública, contando com aperfeiçoamento constante e necessário, inclusive, para a progressão na carreira.
Evidentemente, alguns podem dizer: mas a instituição (através das ações de seus integrantes) também erram. É verdade e claro que erram. Erram como todo ser humano em qualquer atividade que exerce, muito mais numa atividade de risco que trata no cotidiano com pessoas que praticam (ou desejam praticar) em suas ações o mal para outras pessoas.
O que entristece, no entanto, é que a pergunta realizada anteriormente: POR QUE TANTO ÓDIO DA POLÍCIA MILITAR ? – não é respondida.
Ao contrário, o que vemos é uma campanha continuada de ódio para com a Polícia Militar por parte da mídia, por parte considerável da sociedade e por autoridades em vários níveis, pregando sua simples desmilitarização, ou seja, sua extinção sem considerar nenhuma das razões apresentadas.
A mais recente manifestação repercutida pela mídia foi da Presidente da República que disse, referindo o que fará e defenderá se reeleita: “defenderá a desmilitarização da polícia”, como se: ser militar para um profissional fosse uma espécie de doença, esquecendo-se que os países mais evoluídos do mundo possuem suas polícias com investidura militar aos moldes da Polícia Militar brasileira.
(leia uma das matérias):
O que mais espanta é que em época de grandes eventos (copa do mundo por exemplo) onde as Polícias Militares tiveram postura exemplar preservando a ordem tanto nos locais de competição e, principalmente, em todos os centros urbanos, agindo harmonicamente em conjunto com outra forças de segurança, recebe do chefe do executivo essa resposta desmerecendo e desconsiderando sua investidura de militar.
As Polícias Militares talvez sejam alvo destas constantes criticas e permaneça em respeitoso silêncio, justamente pela sua investidura militar onde a obediência, a moral, a ética, a estética e o culto aos símbolos (dentre outros) são perseguidos cotidianamente. Gostaria de ver como ficaria a sociedade sem uma Polícia Militar num país como o Brasil, onde impera a impunidade e o maldito jeitinho devido uma legislação frouxa e equivocada, dentre outros males.
Fica a pergunta: POR QUE TANTO ÓDIO DA POLÍCIA MILITAR?
 Um abraço a todos
 MARLON JORGEE TEZA

domingo, 29 de junho de 2014

O TRATAMENTO QUE UM JOGADOR DE FUTEBOL TEM E O POLICIAL NÃO TEM

Quem está acompanhando a Copa do Mundo que está sendo realizada no Brasil deve, com certeza, ter lido, ouvido ou assistido um fato inusitado ocorrido numa das partidas de futebol entre a Itália e o Uruguai. Estou me referindo à mordida eu o jogador da Seleção Uruguaia de nome Luis Suárez desferiu contra um jogador Italiano.
Como constatado, também, todas as mídias divulgaram amplamente o fato justamente para enfatizar que tal atitude não condiz com as regras do futebol e nem mesmo com as regras de convivência da sociedade, e que merecia uma punição da FIFA, entidade que promove a Copa do Mundo.
Intrigante, porém, é que parte significante da mídia, inclusive a esportiva, jogadores de futebol e até o presidente do país do atleta que anunciou ser ele um herói nacional e vítima do capitalismo, quando anunciada a punição (de nove jogos oficiais de futebol e quatro meses de banimento do futebol) saíram em defesa ao tal jogador de futebol pregando que a punição é exagerada, etc, etc. Disseram inclusive que o “coitado” do jogador poderia ter “prejuízo em sua carreira”, como se o mesmo não possuisse condições de sobreviver, esquecendo-se dos milhões, não de dólares mas de euros, que o mesmo já faturou lá na Europa. Uma séria agravante é que o mesmo jogador é contumaz nas “mordeduras” durante jogos de futebol e de atitude racistas que já lhe renderam punições.
Há também aquela legião de “especialista” que justificam a atitude dele devido sua infância “dura” com muita pobreza, etc. Outros tentam justificar que foi: Impulso; acesso de raiva, resposta a muita pressão, dentre outras razões que devem ser levadas em consideração.
Pois bem o que tudo isso tem com os temas desse blog se aqui é tratado temas de segurança pública?
Tem muito haver com a segurança pública sim. Tentarei explicar.
A mesma lógica que tenta explicar a atitude do jogador nunca é levada em conta quando os policiais cometem atos contrários as regras legais ou regulamentares da instituição policial.
Não vejo, nestas situações, a mídia, os especialistas, as autoridades e parte da sociedade levarem em consideração que o policial, este sim, pode agir por impulso, acesso de raiva ou ainda tem certas atitudes em resposta a muita pressão, pois também é um ser humano.  Ao contrário há sempre, aí sim, uma exagerada execração do policial, exigindo punição severa que geralmente é traduzida na sua “prisão” (passando de mocinho a bandido” em frações de segundo), ou então exigem sua “expulsão” sumária desejando não lhes permitir nem mesmo o que o maior dos bandidos possui, que é o direito da ampla defesa e do contraditório.
É evidente que não se pode admitir eu policiais transgridam as leis e/ou regulamentos, no entanto, o que gostaria de deixar claro é que o tal Luis Suárez obteve toda a solidariedade e afagos como acima mencionado, enquanto a polícia e os policiais não possuem o mesmo tratamento, nem de perto. Ao contrário as polícias e os policiais são frequentemente ridicularizados e maltratados, não recebendo o reconhecimento devido, aquilo que até um jogador de futebol indisciplinado que não é exemplo para ninguém recebe.
O que se deseja é, no mínimo, o mesmo tratamento e reconhecimento, somente assim os policiais podem ter maior tranquilidade para trabalhar.
Um forte abraço a todos.


MARLON JORGE TEZA