Nesta
semana participei da Interseg — Feira Internacional de Tecnologia, Serviços
e Produtos para a Segurança Pública paralela a conferência da Associação
Internacional dos Chefes de Polícia (International Association of Chiefs
of Police – IACP), nos pavilhões do Riocentro na cidade do Rio de Janeiro-RJ.
De
relance foi fácil observar que a feira, especificamente, estava recheada de
produtos e serviço ligados a segurança pública (como não poderia deixar de ser),
no entanto ficou também muito fácil de constatar que a maioria dos expositores
ligam seu produto e/ou serviço a repressão policial. A prevenção fica num
segundo plano, parecendo não ter muita importância para a atividade policial.
Divido
essa constatação com os leitores desta postagem de meu blog para voltar a
comentar que a segurança pública brasileira, aí incluindo as polícias (todas),
está demasiadamente repressiva desconsiderando quase que por completo os
produtos e serviços voltados à prevenção policial.
Munição,
armamento letal e menos letal, viaturas possantes e de combate, dentre outros
equipamentos ressaltavam enormemente entre os demais.
Da
mesma maneira os stands das instituições e órgãos policiais (Polícia Militar –
Polícia Rodoviária Federal – Polícia Civil) ressaltam o que elas possuem de
mais letal dentre seus equipamentos, armamentos, munições e, principalmente,
seus treinamentos. Até mesmo a tal de Força Nacional de Segurança Pública,
órgão que ainda carece de previsão legal e constitucional na estrutura policial
brasileira, evidenciou em sua exposição os equipamentos, viaturas, uniformes, armamento
e treinamentos voltado quase que exclusivamente para repressão policial.
Aí vem, inclusive, à tona a tal da tão propalada “desmilitarização”
da Polícia Militar. Na verdade o que se vê é uma militarização de todo o
sistema de segurança pública. Essa militarização está ocorrendo nas ações e no
aspecto (vestes, armamento, equipamento, posturas, táticas, etc) das polícias e
não na investidura da instituição policial como ocorre com a Polícia Militar. Vi
que a Polícia Civil do Rio de Janeiro, a Polícia Rodoviária Federal e a própria
“tal” de Força Nacional de Segurança Pública (que é composta por Polícias
Militares, Bombeiros Militares, Policiais Civis, Policiais Rodoviários Federais
etc) em nada diferencia de uma instituição de investidura genuinamente militar existentes
na grande maioria de forças policiais espalhadas pelo mundo afora.
Muito
preocupa essa excessiva busca pela repressão nas ações de segurança pública,
pois vai contra o que de moderno existe de estratégias para evitar a instalação
do crime e da desordem principalmente nos grandes centros urbanos de todo o
mundo.
É
claro que uma feira tem o fim precípuo de estimular os negócios, ou seja, as
vendas, contudo aqueles que desempenham atividades na área da segurança “pública”
(pública e não privada) não podem se
deixar levar por isso tudo, pois o seu “negocio” é evitar o crime e a desordem
(respeitando a missão de cada um) e não esperar o mesmo ocorrer para então agir
repressivamente com armamentos, equipamentos, munição, viaturas, e tudo mais.
É
evidente que todos os órgãos e instituições de segurança pública,
principalmente as policiais, devem possuir capacidade repressiva (reativa),
porém deve ter, pelo menos, equilíbrio com aquelas medidas e aparato material
preventivo.
A
presente postagem, na verdade, tem o objetivo de chamar todos à reflexão sobre
o qual ou quais os reais objetivos precípuos dos órgãos e instituições de
segurança pública: prevenir ou reprimir.
Para
finalizar cito um dos princípios conhecidos como “princípios de PELL” que
norteia desde 1829 a polícia metropolitana de Londres (Scotlant Yard) que
encaixa perfeitamente ao conteúdo desta postagem: ”O teste da eficiência da
polícia será pela ausência do crime e da desordem, e não pela capacidade de
força de reprimir esses problemas”.
Um
grande abraço a todos.
MARLON JORGE TEZA
Caro Coronel Marlon, acredito que esse grande interesse das forças policiais na aquisição de equipamentos repressivos decorre do fato de, infelizmente, os gestores pautarem suas decisões preferencialmente em medidas midiáticas, capazes de gerar maior impacto e interesse da imprensa. Nesse cenário, a prevenção vai ficando em plano secundário...
ResponderExcluirUm abraço,
PRF Leandro Andrade.